quinta-feira, 28 de julho de 2011

Obsessão

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Era um início de noite, as estrelas mostravam com timidez seu brilho enquanto o sol de punha e o céu escurecia. Em uma praça pública, mais precisamente uma praça onde donos de cachorros levavam seus animais para passear, uma garota de roupas velhas se encontra deitada em meio a fezes não recolhidas. Estava maravilhada, sentia que era um refúgio. Naquele momento não precisava pensar em trabalho, apenas precisava terminar seu baseado e descansar.

Por não ser tarde, ainda havia crianças e adolescentes que caminhavam nas ruas, algumas poucas ignoravam a garota, porém, a grande maioria apontava dedos e cochichavam entre si, sempre rindo. Nada importava para ela. Uma vez terminado de fumar, retira do bolso um pequeno pacote de plástico com maconha já dechavada, não era muito, mas talvez o suficiente para mais um fino. ‘Preciso de mais’. Pensava ela, já tentando se levantar, entretanto, seu corpo parecia não responder como ela queria, estava mole, cansado. Mal se recordava que havia passando os últimos dois dias apenas fumando e bebendo água de banheiros públicos, sem dormir, partindo de um lugar a outro, obsessivamente a procura de alguém, mas até o momento sem sucesso. Com um esforço guardou o pacote de volta no bolso e fechou os olhos, adormecendo mais rápido que conseguia pensar.

Durante o pequeno devaneio de pensamentos e ações, inúmeros jovens brincavam com a situação da garota, tirando fotos, falando besteiras, jogando lixo e até mesmo houve apostas para abusar dela sexualmente. Sorte ou coincidência, o cheiro forte das fezes causava uma repulsa aos rapazes, fazendo com que desistirem e irem atrás de seus afazeres.

Perto do amanhecer algumas gotas de água caiam, aumentando gradualmente ao tempo. A jovem acorda, mantendo seus olhos fechados, tentava criar uma linha de raciocínio, mas conforme as gotas iam engrossando ela decide levantar logo, caminhando na grama em direção ao banheiro público novo no centro da praça. Dentro do recinto ela procura papel para secar o rosto da chuva, mas sem sucesso ela retira a blusa, a torce, e então a usa para se secar. Neste momento duas garotas de programa adentram ao recinto para fugir da chuva e fofocarem sobre seus recentes clientes. Diante disto a garota se esconde dentro do cubículo onde se encontra a privada e lá presta atenção na conversa alheia.

Entre uma pornografia e outra, as putas acabam revelando sobre um cliente em comum que tiveram na naquela noite, mais precisamente sobre suas bizarrices. ‘Será?’. Passou pela cabeça da jovem, escondida, conforme ia escutando a descrição de situações sádicas. A cada conto delas, ela se recordava de um acontecimento de seis anos atrás. Sentia certo alívio mesclado com raiva. Mas precisava ter certeza de que poderia ser ele, então decidiu escutar um pouco mais da conversa, enquanto a mente divagava sobre os fatos de seu passado.

Silenciosamente a porta do banheiro se abre e as duas em frente ao espelho param por um momento de conversar, mas logo retomam o assunto, ignorando o que parece ser uma terceira pessoa adentrando ao local. Por um momento somente uma das duas fala, com mais vivacidade, mas não muito tarde a mesma para de falar e um silêncio desconfortável toma conta do local. Não há nenhum som, nem de passos, nem de respiração, nada. A jovem escondida sente um calafrio subir a coluna e é quando olha para o chão é que nota que há sangue nele. Assustada, abre a porta com força, arrebentando o fecho fraco que nele havia. As duas putas estavam jogadas ao chão, nuas, cheias de cortes mal feitos entre o umbigo e a vagina, hematomas nos seios e costelas, os dedos do pé decepados, mas o rosto e as mãos intactos, nem sujos estavam. ‘Mas... Como?’. Pensou a única sobrevivente ali, tentando imaginar como não tinha escutado o acontecimento de tais atrocidades ou até mesmo o porquê das duas não terem pedido por socorro quando aconteceu. Não demorou muito para que seus olhos percorressem o espelho. Havia uma mensagem ali, feita com batom de uma das mortas:

La meva obsessio ets tu

Mais abaixo, sobre a pia há uma faca curta, enferrujada. No mesmo momento a garota procura nos bolsos um objeto, mas falha ao encontrar. Lágrimas escorrem sobre sua face, no mesmo momento em que nota que há apenas o pacote de plástico guardado. Ela cai de joelhos ao chão, em meio ao sangue que se espalhou sobre a superfície, lentamente os olhos parecem serem conduzidos até a própria barriga, onde há cortes idênticos aos das vítimas, porém, mal cicatrizados. Rapidamente se vira um pouco e retira o tênis, sem meia, observando o pé sem dedos, comparando com os das mulheres a sua frente. Idênticos. Sua mente parece não se agüentar, tinha agora certeza de que era o mesmo cara e mais lágrimas escorrem, num choro descontrolado.

5 comentários:

  1. Tal obseção pela droga....como era a vida dessa pobre garota q achava melhor ser assim do q viver num mundo alucinante como o nosso...perfeito migaa

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  2. Me lembrou tanto Clarisse, do Legião Urbana -- quanto o filme As Virgens Suicidas, com a Kirsten Dunst.

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  3. alguem chegou la e meteu a faca nas guria.
    ah, e q isso aconteceu com a guria maconheira antes.

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  4. Que tenso, a coitada mal deve conseguir correr sem os dedos dos pés.

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  5. Achei muito bom, mesmo eu não gostando desse tipo de história. Você escreve duma forma que prende a gente e faz com que fiquemos com vontade de mais e mais. Parabéns Kat *o*

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